2/5/09
A GUERRA DOS DEUSES
No Egito antigo, em termos espirituais o que predominava era a religiosidade da nação. Embora houvesse uma noção sobre o Deus Vivo e Verdadeiro quanto ao culto que lhe era devido, os egípcios se enveredaram pela espiritualização da natureza, adorando o sol, a lua, o rio Nilo e os animais. O próprio Faraó era endeusado e ele próprio se considerava deus. Nessa imensa idolatria foi que Deus colocou seu povo para viver durante 400 anos. Nesses anos todos este povo recebeu as influências religiosas e filosóficas egípcias as quais eram assustadoramente negativas. Ocorre que dentro do plano pré-estabelecido por Deus Ele haveria de libertar o Seu povo com mão forte e executando seu Juízo sobre o Egito e todos os seus deuses. Travou-se então uma guerra com objetivos definidos pelo Senhor, culminando com a saída de Israel. A guerra foi o envio de Deus de dez pragas como demonstração de Sua soberania e do Seu poder contra todas as potestades espirituais do mal e porque não dizer do próprio Satanás que é o comandante de toda espécie de idolatria ou religiões não submissas ao Único Deus Vivo e Verdadeiro. Mostraremos três aspectos ilustrativos:
I – O FIM DAS DEZ PRAGAS
Conforme Registra o livro de êxodo do capítulo sete ao capítulo doze percebe-se claramente que estas pragas evidenciam o julgamento de Deus sobre aqueles que oprimiam Seu povo, ou seja, Faraó com todos os ídolos cultuados ali.
Aprendemos com a Bíblia e com a experiência cristã, que os atos de Deus estão revestidos de um fim bem definido. Deus não age por acaso, nem por capricho. Ele o faz com um fim pré-determinado e definido. Destacamos, portanto, que o fim definido de Deus ao enviar sucessivas pragas contra o Egito teve dois entraves importantes:
1 – A evidência de Sua soberania. Em nome do Senhor Moisés e Arão chegam à presença de Faraó e pleiteiam a saída de Israel do Egito. Faraó com insolência e desprezo responde-lhes “…Quem é o Senhor para que lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir a Israel…” (Êxodo 5.2). Deus responde a Faraó através das pragas manifestando sua majestade não somente aos Egípcios como a todo o povo da terra. As pragas provaram que Deus é Soberano e tem o controle de todo o Universo, ou seja, sobre tudo que existe no céu, na terra, nos ares bem como sobre Faraó e todos os seus deuses.
As pragas foram: SANGUE, atingiu o deus Nilo; RÃ sucumbiu a deusa Hequite que era representada pela rã; PIOLHOS, que contra Khepera, o deus que defendia o povo dos piolhos; MOSCAS afetaram a deusa Seb, a deusa da terra; PESTE, nos animais atingiu o gado que representava no macho boi o deus Apis, um dos mais elevados; ÚLCERAS, contra a deusa Neit, que sem seus cultos cinzas era espalhada pelos seus sacerdotes como sinal de bênçãos; SARAIVA, atingiram Isis e Osíris os deuses da água e do fogo; GAFANHOTO atingiu Isis e Serapis, os protetores do país contra gafanhotos e outras espécies similares; TREVAS mostraram a impotência de Ra, o deus do sol; finalmente MORTE, dos primogênitos, o golpe fatal contra todos os deuses e especialmente Faraó.
2 – Crescimento da fé no coração de Israel. Por quatrocentos anos Israel conviveu com a religiosidade e idolatria do Egito e foi influenciado sem, contudo perceber a fragilidade, incompetência e engodo desses deuses e do “soberano” Faraó. As pragas, portanto, teve como ação fundamental o crescimento da fé de Israel e lhe mostrar duas coisas: a) – só o Senhor é Deus (Deuteronômio 6.4); b) – o Senhor como Deus é o único poderoso para livrar e conduzir o seu povo à vitória (Ex 18:9-11).
II – A LIMITAÇÃO DOS MAGOS DE FARAÓ
II - A OPOSICAO DOS MAGOS - Na luta travada pelo Senhor e Seus servos contra os deuses do Egito e a opressão de Faraó, fica evidente a participação dos magos, contra os pianos de Deus. Os magos eram elementos influentes na vida religiosa de seu país e gozavam da confiança de Faraó. Seus nomes nos são revelados em II Tim. 3:8, bem como o caráter de ambos e o fim de sua oposição. Janes e Jambres fizeram oposição a Moises simplesmente imitando-o, e isso até onde o Soberano Deus Ihes permitiu, tudo aquilo que ele fazia. Com essa permissão de Deus os próprios magos eram iludidos com seu poder enganador ou mau e pensavam estarem neutralizando os efeitos sobre a consciência do povo. O que Moises fazia também eles o podiam fazer, de modo que, então qual a grande diferença? Um era tão bom como os outros. Um milagre é um milagre. Se Moises fazia milagres para tirar o povo do Egito, eles podiam fazer milagres para os obrigarem a ficar no país.
Se considerarmos as sutilezas de oposição que Satanás realiza à verdade de Deus em primeiro lugar é, opor a violência; se isso falhar, corrompe-Ia por meio de imitação. Por isso, procurou em primeiro lugar matar Moises (capitulo 2:15), e tendo falhado em realizar o seu propósito, procurou imitar as suas obras. Da mesma forma aconteceu com a verdade confiada à Igreja de Deus. Os primeiros esforços de Satanás eram alimentar a Ira dos principais sacerdotes e anciãos do povo por melo do tribunal, o cárcere e a espada. Porém, na passagem que reproduzimos da segunda epístola a Timóteo não se faz menção de tais processos. A violência aberta foi substituída por um meio muito mais astuto e perigoso de uma profissão vazia, ineficaz de imitação. O inimigo, em vez de se apresentar com a espada da perseguição na Mão, usa o manto da profissão professando e imitando aquilo que em outro tempo combateu e perseguiu; e, assim consegue vantagens assombrosas no tempo presente. O pecado moral tem revestido de formas horríveis de século para século manchando a história da humanidade, não apenas nos antros e cavernas das trevas humanas, mas nos ocultos do manto de uma profissão fria, impotente e esta é uma das obras primas de Satanás e naturalmente o homem, como ser caído e corrompido, torna-se egoísta, cobiçoso, vaidoso, altivo; mas tudo isso sob uma formosa aparência de piedade, denotando uma força especial de Satanás contra a verdade “nos últimos dias”.
III – A ESTRATÉGIA DE FARAÓ
Quando Faraó percebe que seus magos nada mais podem fazer para imitar as pragas e que começa haver uma distinção entre o povo de Deus e o povo do Egito conforme êxodo 8:16 e sgs, ele faz várias tentativas para manter Israel cativo nas terras do Egito procurando desvirtuar o sentido amplo da santificação, adoração e serviço ao Senhor.
Primeira tentativa, era de que Israel sacrificasse na própria terra do Egito. A sutileza de Satanás aqui é colocar todos os deuses no mesmo nível do Deus Vivo e Verdadeiro, apenas fazendo distinção entre Israel e o Egito, ambos com o seu culto, porém todos no Egito. Assim, nós adoramos os nossos deuses eles adoram o Deus deles, porém somos iguais ou superiores porque eles ainda continuam nossos escravos.
Segunda tentativa, não ir longe. Estando Israel nas fronteiras do Egito e sendo vigiados por eles, a influência continuaria e facilmente poderiam ser reconduzidos de volta ao Egito.
Terceira tentativa, Israel estaria liberado para ir adorar, desde que os filhos não os acompanhassem. Uma libertação parcial que implicaria na divisão de Israel, enquanto os pais serviam ao Deus Vivo e Verdadeiro, os filhos estavam entregues à idolatria e ao mundo. Eis aqui um cuidado para os pais cristãos tomarem. Isto provoca inutilidade do culto e desonra para Deus.
Quarta tentativa, não conseguindo seu intento nas primeiras tentativas, procura agora subtrair os meios que Israel tinha para servir a Deus. Estaria Israel liberado para a adoração e sacrifício desde que seus bens não fossem levados, então Israel não teria como oferecer os seus sacrifícios. A resposta de Moisés, porém foi enfática e clara conforme êxodo 10:25:26: “Respondeu-lhe Moisés: Também tu nos tens de dar em nossas mãos sacrifícios e holocausto, que ofereçamos ao Senhor nosso Deus. E também os nossos rebanhos irão conosco, nem uma unha ficará, porque deles havemos de tomar, para servir ao Senhor, até que cheguemos lá.”
Concluímos dizendo que Deus endureceu o coração de Faraó para não facilitar a saída de seu povo, por isso Faraó foi indisposto a liberar Israel. Mas isso foi para a manifestação da gloriosa majestade de Deus e demonstração do Seu poder real e não apenas ilusório. Deus não somente venceu a Faraó, como também encorajou seu povo em todos os tempos para as lides da vida com tranqüilidade e Sua paz. “ELE É O SENHOR QUE PELEJA POR NÓS! (DEUTERONÔMIO 1.30).
Pr Diomar Vaini
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