17/2/09
SISTEMA DE VALORES
INTRODUÇÃO
Creio que o supremo valor a ser preservado é a vida humana, tanto estado físico como no sentido espiritual, ou seja, no que se refere à vida temporal quanto à vida eterna. A vida eterna e suas perspectivas surgem quanto é descoberto o princípio da lealdade suprema de Deus, que estão expressos na bíblia. É a partir deste ponto que se estabelece o sistema de valores, significando que os valores espirituais têm uma visão de uma categoria de valores mais elevados e assim subordina os demais valores que dão significado à vida humana.
Nos capítulos 5 a 7 do evangelho segundo Mates Jesus nos apresenta no Sermão do Monte os princípios fundamentais de seu Reino. Se retirarmos dos símbolos de fé e da vida dos cristãos, o Evangelho perde uma parte insubstituível de seu conteúdo. O texto nos remete àqueles que vivem hipocritamente ao demonstrarem uma vida de religiosidade, porém destituída de uma fé autêntica e de personalidade bastante corrompida. O intuito dos hipócritas é apenas manter aparências. Tudo o que eles desejam é formarem uma imagem de si mesmos favorável aos demais. Eles vivem em função de glórias humanas e para tanto sacrificam qualquer coisa para satisfazerem suas vaidades e orgulho pessoais. Jesus mostra especialmente em Mateus 6, a humildade no jejuar, como não se pode servir a dois senhores, estes dois comparados mostram a hipocrisia da religiosidade. Pois, Jesus se refere à recompensa que o Pai concede àquele que ora em secreto. Misturar piedade com vantagens materiais cf versos 22 e 23 certamente fere os princípios da verdadeira fé, pois nos versículos são apresentados luz e trevas para significar a interioridade da verdadeira religião e o que ela produz sobre o indivíduo por completo.
Não acumuleis para vós outros tesouros. Não há especificação do tipo de tesouro, desta forma pode ser aplicados a qualquer bem material, roupas, alimentos ou dinheiro. Refere-se à tendência de gastar a vida no constante esforço para possuir tudo aquilo que torna o homem rico, porém perece e por aqui fica. Também Jesus aplica a bens imateriais, como a fama, o prestigio as honrarias, os elogios, etc.
Sobre a terra. Refere-se à natureza dos bens, evidencia aquilo e se origina na terra, nela também fica. Se os homens entendessem que o juntar casa a casa, campo a campo, até que não haja mais lugar e ficarem como únicos moradores na terra Is 5.8 não lhes trazem felicidade, o mundo certamente seria bem melhor, não haveria guerras, não haveria tantas injustiças, as guerras cessariam e o homem passaria a desfrutar as belezas verdadeiras da terra e não a destruiria. Homens matam, roubam, falseiam para ajuntar tesouros que nem sequer conseguem levar para a sepultura. Ficam ali na terra e muitas vezes desperdiçados por seus herdeiros.
Onde a traça e a ferrugem. Expressa bem o que ocorre com os bens acumulados ou retirados de circulação. Não beneficiam a ninguém e foram consumidos sem proveito até para o seu próprio dono. A cupidez e o egoísmo é um retrato que mostra que não somente roupas, alimentos, dinheiro se tornam imprestáveis quando guardados por longo tempo, mas também os sentimentos nobres, as boas ações, as amizades, o qualquer outro valor equivalente, todos igualmente são corroídos pelas traças e ferrugem. Por isso essa advertência do Senhor se torna muito grave.
E onde ladrões escavam e roubam. Aqui vemos outra agência de destruição. No primeiro caso os bens são destruídos pela ação do tempo. Aqui se trata de algo exterior provocada por aqueles que igualmente ambiciosos ou preguiçosos e de má índole, também desejam os mesmos bens, mas acham muito penoso trabalhar para o ajuntarem esses bens. Jesus disse à Igreja de Laodicéia no Apocalipse 3. “conheço as tuas obras… dizes: Estou rico e abastado, e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu”.
Mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça e nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam nem roubam. Esta exortação vem no sentido positivo. Em lugar de cobiça de bens passageiros, de valor temporário, o homem deve buscar a posse de bens permanentes, tesouros que possa guardar, não em cofre de aço, mas na sua mente, no seu coração, riquezas que consistam não de alqueires de terra, nem de ações na Bolsa de valores, ou de casas de aluguel, mas que são substâncias morais que consolidam o caráter. Trata-se de virtudes que procedem e refletem a graça que provém do Espírito Santo que colocam o homem em harmonia com Deus. Esses bens são de natureza espiritual e provoca discernimento, paciência, humildade, honestidade de propósito, disposição para amar e confiar integralmente. Como não são bens de origem terrena, estão guardados contra a traça, a ferrugem e os ladrões.
Onde está o teu tesouro, ai estará também o teu coração. Este ensino deixa claro a íntima relação dos bens e de sua natureza espiritual, e o nosso viver diário. De um lado vivemos sustentados pela esperança da posse da vida eterna com Deus nas delícias da pátria celestial que nos está prometido. E assim não permitiremos que esses valores espirituais prejudiquem a riqueza de nossa vida com Deus. Porém aos que dão valor apenas aos tesouros da terra, serão eternamente atormentados no lago de fogo. Vejam a parábola do rico e Lázaro.
Concluindo:
- Cristo é o Autor e Consumador de nossa fé, e a Ele devemos obediência acima de qualquer outra preocupação.
- O Reino de Deus e a sua justiça devem ocupar o primeiro lugar em nossas cogitações, porque as portas dele foram abertas por Cristo.
- O Espírito Santo é quem nos ilumina para fazermos as seleções de valores e selecioná-las.
- Não devemos gastar tempo para acumular falsos valores, mas enfrentarmos as duras provas como testemunhas de Cristo no meio de uma geração má e corrompida pelo pecado, e sabermos que o nosso tesouro está escondido com Deus em Cristo Jesus.
Pr Diomar Vaini
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