Diomar Vaini

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil

26/2/09

AS BEM-AVENTURANÇAS

 Mateus 5.1-12

 
Nesta passagem convencionada por “Sermão do Monte, ou da Montanha”, um discurso particular para seus discípulos, foi realizado em campo aberto. E foi nesse sermão que o Mestre estabeleceu os pontos básicos do reino que veio instalar.
 
I – NARRAÇÃO – Nesse sermão foi estabelecido Jesus como eterno ou sumo sacerdote e profeta. Antes, porém Jesus passou pelos dois batismos: a) o da justiça – Mt 3.13-15), b) o do fogo (tentação) Mt 4.1. Agora investido, inicia seu ministério com a pregação cf Mt 4.17, e daí por diante passou a ter vários seguidores, entre os quais alguns se fizeram seus discípulos – Mt 4.23 e 25. Foi com estes que Jesus realizou um curso de doutrina pedagógico e prático, por cerca de três anos, no qual o sermão do Monte foi a inauguração, e a aula que teve, na noite da Santa Ceia foi o seu encerramento. No sermão do Monte Jesus apresenta as diretrizes do seu Reino. O texto em apreço ressalta as características dos cidadãos do Reino, ou o caráter do cristão. O texto destaca o fato de que o Mestre se afastou da multidão, e seus discípulos de acercaram dele, então e lhes dá essa primeira aula das diretrizes do Reino.
 
II – AS BEM AVENTURANÇAS – Bem-aventurado expressa felicidade, ventura. Essa característica é íntima do cristão. O cristão é feliz e genuinamente feliz. Essa felicidade é gerada pelo Espírito Santo que lhe dá o senso moral, ou seja, uma consciência que tem a cumprir os princípios cristãos. As bem-aventuranças são oito, as quais passaremos a uma análise.
 
1.Humildes de espírito– verso 3 – Pobres de espírito conforme o original, não são pessoas retardadas nem simplórias. A palavra no original é “pobres no espírito”. É algo interior, ou seja, humildade, pureza e sinceridade interior. É a isenção de má fé, malícia ou maledicência, é uma demonstração de humilde sentimento de sinceridade e modéstia interior.
 
2.Os que Choram –verso 4 – A referência aqui não é apenas para um choro exterior, ou emocional. O significado aqui é para aquele que embora sinceramente entristecido por causa do mal seja feliz. É uma consciência ocasionada pela consciência do mal em sua vida, e também observação da existência do mal, neste mundo. É a sensibilidade espiritual ante a existência e das conseqüências do pecado, em sua vida e na dos outros.
 
3.Mansos – verso 5 – Esta virtude somente o verdadeiro cristão a possui. Ela é resultado da humildade interior referida no verso 3. Significa que três cousas estão ausentes: 1) pretensão ou vaidade; 2) ressentimento; 3) impaciência ao enfrentar a injustiça. São Atitudes dinâmicas e positivas, pois elas exigem esforços, domínio próprio e compreensão.
 
4.Sede de Justiça – verso 6 – “Fome e sede de justiça” é um desejo profundo de agir de forma correta. É a procura de respeitar as leis humanas e cumprir as leis de Deus. Jesus aponta o ideal cristão de vida correta. O cristão aceita esses padrões e princípios como forma correta de vida e procura viver essa retidão.
5.Misericórdia – verso 7 – Por ter o cristão um padrão muito elevado, torna-se difícil de ser seguido. Esse atributo aparece apenas duas vezes no Novo Testamento, aqui, como padrão e em Hebreus 2.17, como atributo de Cristo. Misericórdia significa se preocupar com o bem dos outros: 1) emocionalmente, presta solidariedade; 2) voluntariamente, exerce compaixão com compreensão; 3) praticamente, exerce beneficência. A misericórdia leva o cristão a sentir, emocionar-se e ajudar na necessidade alheia.
 
6.Pureza – verso 8 – É o interior purificado pelo Espírito Santo. A pureza cristã é algo que está na alma, um interior genuíno. Em Natanael Jesus não viu dolo, o cristão sincero é pessoa limpa pelo Espírito de Deus.
 
7.Pacificadores – verso 9 – A palavra no original grego significa cultivar e promover a paz. O cristão é devidamente habilitado para estabelecer a paz porque ele tem a noção consciente e experiência de paz. Ele é um trabalhador incansável na luta pela paz. Ele não é um grevista ou pacifista, mas verdadeiro pacificador: Romanos 12.18 “se possível, quanto depender de voz, tende paz com todos os homens”.
 
8.Perseguidos por causa da justiça – verso 10 – O cristão é a pessoa que com as características até aqui assinaladas vive em constante conflito com o mundo. Na prática o cristão vive padrões diferentes dos padrões do mundo. Embora na maioria das vezes incompreendido, o cristão é feliz mesmo vivendo os conflitos e as adversidades que o mundo lhe impõe. Embora esteja sendo perseguido por causa da justiça de Cristo na luta dos seus conflitos ele se exercita e se disciplina como súdito do reino de Cristo.
 
9.Prova final – versos 11 e 12 – Esta bem-aventurança nos parece uma continuação da anterior. O cristão exercendo sua missão para glorificar e anunciar a Cristo passa por essa tremenda prova, sujeitando-se à crítica insultuosa (injúria), à tensão externa (perseguição), às tentações do mal (todo mal) e finalmente à maledicência (mentiras).
 
10.Recompensa final – verso 12 – O cristão ao passar por esses rigorosos testes, liberalmente, para seguir este mais elevado padrão de conduta e moral pela relevância de seus motivos: 1) A mais nobre e elevada causa – “por minha causa”, 2) A mais digna companhia – “Assim perseguiram os profetas”, 3) A mais elevada recompensa – “grande é o vosso galardão nos céus).
 
Portanto, o cristão que se desvencilha das coisas da carne e dos prazeres do mundo sofre e goza as bem-aventuranças, porém é portador da paz na alma que somente ele pode sentir o que é impossível descrever, e isso incomoda as pessoas e até mesmo os cristãos francos na fé, mas agrada e glorifica a Deus.
 
Pr Diomar Vaini
criado por dvaini    7:25 — Arquivado em: Religião e comentários

21/2/09

COMBATI O BOM COMBATE

 

“Quanto a mim, a hora de ser sacrificado já chegou, e já é tempo de deixar esta vida” 2 Tm 4.6
 
Parece que foi ontem que comecei a lutar por Cristo. E tudo passou tão rápidamente…
Ao longo do tempo as marcas do combate apare­ceram em meu corpo. Meus olhos e suas lagrimas, minha voz e a rouquidão das pregações, dos cânticos e dos gritos de dor.      .
Minhas mãos e os calos das agulhas de tecelão e as manchas das tintas.
Meus pés e a marcha por caminhos que Ele um dia me fez andar.
Combati o bom combate, não para derramar san­gue ou fazer violência, mas para repartir o amor de Deus com os outros.
E o sangue do meu coração se uniu às lágrimas do meu rosto pela dureza de coração daqueles que rejei­taram o amor de Jesus.
Combati o bom combate. E ainda que meu corpo se aproxime do fim, do ponto final, da grande chegada por essa estrada que me levou, ainda assim a fé no Senhor me faz olhar alem da cortina do tempo e do imenso espaço.
Chego ao fim da carreira, mas não para o deses­pero do não ter futuro. Contemplo uma estrada longa que me espera.
E Ele, que esteve comigo na manha daquele cami­nho de Damasco, quando atônito fui jogado ao chão, já me espera "um pouco além do presente", na esquina do tempo e da eternidade.
 
                                                                                                       Extraído do Cada Dia
 

 

criado por dvaini    8:35 — Arquivado em: Religião e comentários

17/2/09

SISTEMA DE VALORES

 INTRODUÇÃO

 
Creio que o supremo valor a ser preservado é a vida humana, tanto estado físico como no sentido espiritual, ou seja, no que se refere à vida temporal quanto à vida eterna. A vida eterna e suas perspectivas surgem quanto é descoberto o princípio da lealdade suprema de Deus, que estão expressos na bíblia. É a partir deste ponto que se estabelece o sistema de valores, significando que os valores espirituais têm uma visão de uma categoria de valores mais elevados e assim subordina os demais valores que dão significado à vida humana.
 
Nos capítulos 5 a 7 do evangelho segundo Mates Jesus nos apresenta no Sermão do Monte os princípios fundamentais de seu Reino. Se retirarmos dos símbolos de fé e da vida dos cristãos, o Evangelho perde uma parte insubstituível de seu conteúdo. O texto nos remete àqueles que vivem hipocritamente ao demonstrarem uma vida de religiosidade, porém destituída de uma fé autêntica e de personalidade bastante corrompida. O intuito dos hipócritas é apenas manter aparências. Tudo o que eles desejam é formarem uma imagem de si mesmos favorável aos demais. Eles vivem em função de glórias humanas e para tanto sacrificam qualquer coisa para satisfazerem suas vaidades e orgulho pessoais. Jesus mostra especialmente em Mateus 6, a humildade no jejuar, como não se pode servir a dois senhores, estes dois comparados mostram a hipocrisia da religiosidade. Pois, Jesus se refere à recompensa que o Pai concede àquele que ora em secreto. Misturar piedade com vantagens materiais cf versos 22 e 23 certamente fere os princípios da verdadeira fé, pois nos versículos são apresentados luz e trevas para significar a interioridade da verdadeira religião e o que ela produz sobre o indivíduo por completo.
 
Não acumuleis para vós outros tesouros. Não há especificação do tipo de tesouro, desta forma pode ser aplicados a qualquer bem material, roupas, alimentos ou dinheiro. Refere-se à tendência de gastar a vida no constante esforço para possuir tudo aquilo que torna o homem rico, porém perece e por aqui fica. Também Jesus aplica a bens imateriais, como a fama, o prestigio as honrarias, os elogios, etc.
 
Sobre a terra. Refere-se à natureza dos bens, evidencia aquilo e se origina na terra, nela também fica. Se os homens entendessem que o juntar casa a casa, campo a campo, até que não haja mais lugar e ficarem como únicos moradores na terra Is 5.8 não lhes trazem felicidade, o mundo certamente seria bem melhor, não haveria guerras, não haveria tantas injustiças, as guerras cessariam e o homem passaria a desfrutar as belezas verdadeiras da terra e não a destruiria. Homens matam, roubam, falseiam para ajuntar tesouros que nem sequer conseguem levar para a sepultura. Ficam ali na terra e muitas vezes desperdiçados por seus herdeiros.
 
Onde a traça e a ferrugem. Expressa bem o que ocorre com os bens acumulados ou retirados de circulação. Não beneficiam a ninguém e foram consumidos sem proveito até para o seu próprio dono. A cupidez e o egoísmo é um retrato que mostra que não somente roupas, alimentos, dinheiro se tornam imprestáveis quando guardados por longo tempo, mas também os sentimentos nobres, as boas ações, as amizades, o qualquer outro valor equivalente, todos igualmente são corroídos pelas traças e ferrugem. Por isso essa advertência do Senhor se torna muito grave.
 
E onde ladrões escavam e roubam. Aqui vemos outra agência de destruição. No primeiro caso os bens são destruídos pela ação do tempo. Aqui se trata de algo exterior provocada por aqueles que igualmente ambiciosos ou preguiçosos e de má índole, também desejam os mesmos bens, mas acham muito penoso trabalhar para o ajuntarem esses bens. Jesus disse à Igreja de Laodicéia no Apocalipse 3. “conheço as tuas obras… dizes: Estou rico e abastado, e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu”.
 
Mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça e nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam nem roubam. Esta exortação vem no sentido positivo. Em lugar de cobiça de bens passageiros, de valor temporário, o homem deve buscar a posse de bens permanentes, tesouros que possa guardar, não em cofre de aço, mas na sua mente, no seu coração, riquezas que consistam não de alqueires de terra, nem de ações na Bolsa de valores, ou de casas de aluguel, mas que são substâncias morais que consolidam o caráter. Trata-se de virtudes que procedem e refletem a graça que provém do Espírito Santo que colocam o homem em harmonia com Deus. Esses bens são de natureza espiritual e provoca discernimento, paciência, humildade, honestidade de propósito, disposição para amar e confiar integralmente. Como não são bens de origem terrena, estão guardados contra a traça, a ferrugem e os ladrões.
 
Onde está o teu tesouro, ai estará também o teu coração. Este ensino deixa claro a íntima relação dos bens e de sua natureza espiritual, e o nosso viver diário. De um lado vivemos sustentados pela esperança da posse da vida eterna com Deus nas delícias da pátria celestial que nos está prometido. E assim não permitiremos que esses valores espirituais prejudiquem a riqueza de nossa vida com Deus. Porém aos que dão valor apenas aos tesouros da terra, serão eternamente atormentados no lago de fogo. Vejam a parábola do rico e Lázaro.
 
Concluindo:
 
  1. Cristo é o Autor e Consumador de nossa fé, e a Ele devemos obediência acima de qualquer outra preocupação.
  2. O Reino de Deus e a sua justiça devem ocupar o primeiro lugar em nossas cogitações, porque as portas dele foram abertas por Cristo.
  3. O Espírito Santo é quem nos ilumina para fazermos as seleções de valores e selecioná-las.
  4. Não devemos gastar tempo para acumular falsos valores, mas enfrentarmos as duras provas como testemunhas de Cristo no meio de uma geração má e corrompida pelo pecado, e sabermos que o nosso tesouro está escondido com Deus em Cristo Jesus.
Pr Diomar Vaini
criado por dvaini    21:39 — Arquivado em: Religião e comentários
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