25/3/08
MAIOR PERDÃO, MAIOR AMOR.
A parábola do credor e seus dois devedores, em Lucas 7.41-43, faz parte de um texto maior que começa no versículo 36 e se estende até o versículo 50. Nele, afirma-se que o Senhor Jesus Cristo está em casa de um fariseu chamado Simão, que o havia convidado para jantar. Quando o Senhor toma lugar à mesa, chega uma mulher pecadora e age de maneira estranha, se considerado o comportamento, que na época se exigia da mulher, em publico: Ela beija os pés do Senhor, com a cabeça descoberta e os cabelos soltos. Beijar os pés de uma pessoa era o maior sinal de gratidão que alguém poderia demonstrar para com aquele que lhe havia salvado a vida. Soltar os cabelos na presença de um homem era um ato de descompostura jamais praticado por mulher de boa reputação. Assim, estamos diante de uma mulher que, que foi salva por Jesus Cristo, demonstrando para com o seu salvador uma gratidão imensa, a ponto de não se importar com a opinião das pessoas a respeito de seu comportamento em público.
O fariseu hospedeiro censura a acolhida que o Senhor Jesus dá a mulher de má reputação. Então, o Mestre lhe propõe a parábola do credor e seus dois devedores. Diz Ele que duas pessoas deviam para um mesmo credor. A primeira devia o equivalente a 50 dias de serviço de um trabalhador. A segunda devia o equivalente a 500 dias de serviço. Portanto, a segunda devia 10 vezes mais do que a primeira. A ambas, o credor perdoou a dívida. E o Mestre pergunta ao fariseu qual dos dois devedores deveria demonstrar maior gratidão. Ele nem precisou parar para pensar. Responde de pronto que era o que havia contraído a maior dívida.
Com a parábola, o Senhor chama a atenção do fariseu para si mesmo: Simão, você me recebe em sua casa. Você é muito gentil. Apenas isso. Na verdade, minha presença aqui em nada afeta a sua vida. Esta mulher me recebe de modo diferente. Ela me recebe no coração. Assim, a minha presença afeta inteiramente a sua vida. Simão, ela é pecadora sim. Concordo com você. Mas, Simão, o pecado não é barreira intransponível entre Deus e o homem. Digo-lhe que o Pai celeste ama o pecador e quer manter com ele uma relação de pai-filho verdadeira. Assim, se alguém considera a profundidade de seu pecado há de experimentar a grandeza do perdão de Deus. Mais que isso, reconhece as bênçãos de Deus e mostra-se grato a ele, como fez esta mulher. Ela, apesar de pecadora, está mais perto do reino de Deus do que você. Sabe por que? Porque ela tem aquilo que você não tem: profunda gratidão. Ela reconhece - você não - as bênçãos de Deus. Lembra-se da parábola? Pois é, ela está representada naquele que devia 500 dias de serviço. Maior perdão acarreta maior amor. Entendeu, agora, Simão, por que ela está mais perto do reino de Deus do que você?
O puxão de orelhas que Jesus Cristo dá em Simão, o fariseu, serve de lição para nós. Há, nessa lição, quatro aspectos fundamentais:
Primeiro - O verdadeiro cidadão do reino dos céus reconhece as bênçãos de Deus e, por isso, demonstra a sua gratidão, por meio da obediência à vontade do Senhor, em palavras e ações.
Segundo - a demonstração de nossa gratidão a Deus é diretamente proporcional à quantidade e à qualidade das bênçãos que consideramos ter recebido do Senhor. Todo aquele que pouco agradece pouco considera ter recebido. Todo aquele que muito agradece muito considera ter recebido.
Terceiro - a salvação de nossa vida depende da fé e não de atos meritórios (Lc 7.50). A verdadeira fé aceita o perdão de Deus em Cristo e manifesta-se em amor para com o seu Senhor e Consumador que é Jesus Cristo.
Quarto - Deus não faz acepção de pessoas. A preferência que temos por determinadas pessoas - seja no trabalho da Igreja, seja em outra esfera - é marca da nossa humanidade. Ao Senhor o que realmente interessa é a qualidade interior da vida. Ao Senhor interessa a essência da vida, não a sua aparência.
Rev Diomar Vaini
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